Por Roberta Mix em Críticas, Filmes

O filme “A Órfã” (Orphan) foi dirigido pelo espanhol Jaume Collet-Serra (A Casa de Cera) e conta o trama do casal Kate e John, interpretados por Vera Farmiga e Peter Sarsgaard, que não consegue esquecer a perda da terceira filha, que morreu ainda na barriga da mãe. Depois de muitos pesadelos e atormentada por erros no passado, Kate, mesmo tendo um casal de crianças, Daniel e Maxine, resolve adotar uma criança mais velha.

E põe errado nisso!

Num orfanato para meninas já na pré-adolescência, o casal escolhe (Ou será que a menina os escolhe?) a “meiga” Esther (Isabelle Fuhrman), que chama atenção por sua maturidade, apesar de ter 9 anos.

Conforme a trama avança, Esther vai deixando de ser a simples menina doce com sotaque russo, mas com hábitos estranhos (como uso de roupas antigas, colar e munhequeiras de pano que ninguém pode tocar) e passa a mostrar seu lado cruel e psicótico.

Neste filme devo elogiar principalmente o elenco infantil que fez com que os adultos tornassem apenas coadjuvantes na trama. Aryana Enginner interpreta Max, a filha mais nova do casal que tem problema auditivo (curiosamente também é surda e muda na vida real) e é um encanto de criança. É de dar dó em qualquer mero mortal a sua carinha de medo pelas ameaças de Esther, que por sinal foi interpretada brilhantemente pela Isabelle Fuhrman, que em alguns momentos conseguia ser meiga e em outros despertava em nós um grande medo ou uma grande vontade de “quebrar a cara dela” (sim, eu senti muito ódio desta criatura).

Não posso deixar de citar o Jimmy Bennett que interpretou o Daniel, filho do casal. Apesar de Jimmy não ter sido tão brilhante como as meninas, de longe foi melhor que Vera Farmiga (Kate – a mãe desacreditada que ninguém escuta) e Peter Sarsgaard (John – o pai burro que não vê o óbvio). Digo isto porque Vera fez sua personagem ser apática demais em relação a adoção a primeiro momento. Tudo bem que a menina era o “cão chupando manga azeda”, mas no começo ela era uma “fofolete”… estranha mas “fofolete”. Mas conforme a trama foi desenrolando, sua apatia fez mais sentido. Quanto ao papai, o que a filha tinha de surda ele tinha de cego. As provas de que a Esther tinha problemas (E que problemas!) eram esfregadas na cara dele, mas o besta não via. Não culpo nem ao ator Peter Sarsgaard, afinal era a personalidade (clichê) que criaram para o personagem.

Um coisa é certa: o filme é muito violento e merece a classificação 18 anos. Se você se sente ofendido com cenas fortes de sexo ou cenas de violência gratuita (lembrei de Funny Games) protagonizadas por uma criança, é melhor ver outro filme no cinema. Uma pedrada esmagadora e impiedosa num infeliz pombo, é o mínimo que pode ser visto neste filme.

Alguns críticos profissionais (que não é meu caso) acham que poderiam ter criado uma personagem amedrontadora com base na psicologia infantil, sem a necessidade da “backstory” sinistra que colocaram perto do final do filme. Como uma espectadora comum, mas que adora levar sustos no cinema, discordo totalmente deste ponto de vista. Se o filme tivesse sido levado para este caminho tão comum em filmes com crianças medonhas, provavelmente não teria um final tão impactante que deixou muitas pessoas felizes com o dinheiro que gastaram no cinema. Não vou negar que na metade do filme eu já previa o motivo improvável da garota ser assim (sim, eles deixaram muitas pistas descaradas ao longo do filme – assista com atenção), mas isto se deve ao fato de eu assistir muito a Discovery Channel, porém, tenho certeza que o desfecho foi inovador e uma surpresa para muita gente.

“A Órfã” teve uma temática um tanto quanto polêmica. Todos sabemos o quanto é problemática a adoção de crianças mais velhas (com personalidade já formada) e o filme mostra o lado ruim da “coisa”. É fato que muitas famílias que adotam crianças já crescidas conseguem ser felizes, mas não posso ser hipócrita, conheço pessoas que tiveram problemas sérios com filhos adotivos (personalidade não se muda, no máximo pode ser moldada).

O filme é uma realidade exagerada, não vejo motivo de tantos alardes por parte das entidades de adoção, que queriam até boicotar o filme nos EUA (odeio pessoas politicamente corretas ao extremo). Quem tem vontade de adotar crianças mais velhas (o que eu vejo com um dom), não deixará de fazer isto por causa de um filme. No máximo pode servir de alerta para que a família avalie o histórico da criança. O que não vejo como um problema, afinal, acho que ninguém gostaria de ter um filho de um casal psicopata em casa (isto é um exemplo que nada tem a ver com a história do filme).

A Órfa foi produzido por Leonardo DiCaprio (o Robert Pattinson da minha adolescência) que também produzirá o filme “The Girl With the Red Riding Hood“, a versão gótica de Chapeuzinho Vermelho. O roteiro deste filme ficará nas mãos do mesmo roteirista de “A Órfã”, David Leslie Johnson. Mas a novidade não para por aí. A direção deste filme ficará a cargo de Catherine Hardwicke, a diretora do primeiro filme da Saga Crepúsculo (Twilight sempre dando um jeitinho de entrar em posts de outros temas no Mix).

Confira a matéria exclusiva do programa “Moviebox” com detalhes sobre o filme:

Curiosidades

* O roteiro foi escrito de trás para a frente, a partir da surpresa que Esther guarda.

* O roteiro do filme havia sido escrito para se passar no outono. Algumas tomadas exteriores foram filmadas para estabelecer esse detalhe. Contudo, a nevasca de 2007 mudou a paisagem de Toronto no Canadá, e forçou que o roteiro mudasse a história para se passar no inverno.

* A Warner Bros. foi forçada a editar o trailer do filme, retirando uma frase da personagem principal: “Deve ser difícil amar uma filha adotada tanto quanto seus filhos biológicos”. Houve uma série de protestos vindos de pais adotivos e instituições de adoção que fizeram a Warner editar o trailer.

* A foto do Instituto Saarne era na verdade o Alma College, localizado em St. Thomas, Ontario, no Canadá. O local foi destruído por um incêndio em 28 de maio de 2008;

Nota: 10

E você, já assistiu o filme? Se a resposta é sim, conte-nos o que você achou!

Confira também:


Você gostou desta postagem? Então você pode agora inscrever para o feed mix ou receber atualizações diárias no seu e-mail.