Por Roberta Mix em Críticas, Filmes, Saga Crepúsculo

Não vou começar a dizer que o filme foi ruim, ele foi muito bom, porém, esta foi a minha primeira experiência de ver algo no cinema que eu já li. Ficou aquela sensação de “déja vù”. Já assisti filmes de adaptações literárias como “O Perfume: A História de um Assassino”, “Horror em Amityville”, “PS Eu Te Amo”, entre muitos outros que não me lembro agora, mas foram filmes em que eu não tinha lido o livro, ou li depois de assistir. Ver uma adaptação tão conhecida por mim não foi uma experiência muito interessante.

Como Seph (irmão de Stephenie Meyer) disse antes, quem é fã da saga não irá gostar muito, mas os namorados, maridos e quaisquer outros que não leram, vão gostar. Dito e feito! Eu que estava louca e ansiosa pelo filme, não gostei, mas meu namorado que odiava ouvir eu falar sobre a saga, gostou. Que ironia!

A partir de agora você pode encontrar SPOILERS no texto, portanto, se não leu o livro ou não assistiu o filme, pense duas vezes antes de ler!

Apesar da sensação de o filme ter começado e acabado em 30 minutos, teve cenas com aspectos muito positivos que mais para frente irei citar. A atuação de Robert Pattinson foi excelente, mas como eu já previa, Kristen Stewart esbanjou uma completa apatia. Parecia que estava com raiva do mundo. Nós que lemos o livro, sabemos que Bella era “fechada”, mas não uma “mosca morta”.

Preciso dar um destaque para duas ótimas atuações: Anna Kendrick (Jéssica Stanley) e Billy Burke (Charlie Swan). Kendrick conseguiu, mesmo tendo poucos momentos de atuação, trazer a Jéssica perfeitamente a vida. E Billy Burke não poderia ser mais perfeito como o chefe da família Swan, com seus momentos em que se mostrava totalmente fechado, sem jeito para demonstrar seu afeto para a filha e momentos em que seu bom humor fez encher a sala do cinema com gargalhadas, com frases do tipo: “não esqueça do seu spray de pimenta!”

Entre os amigos de Bella, o ator Justin Chon estava numa atuação errada, no filme errado e com a aparência errada. Nunca imaginei um Eric oriental e tão babaca quanto ele. Completamente retardado, o que faz a gente refletir no motivo de Angela se interessar por ele. Por falar em Angela, Christian Serratos conseguiu dar o ar de meiga e boazinha à personagem, mas poderia ter sido mais tímida. Michael Welsh com seu belo par de olhos azuis, deu a vida a Mike Newton de forma bem convincente e tão insistente quanto no livro.

Os atores que interpretaram a família Cullen estavam perfeitamente lindos e caracterizados. Mas Ashley Greene não me convenceu como Alice Cullen. Ela apesar de estar a cara de Alice, não demonstrou todo o carisma da personagem. Além dela não ter sido uma vampirinha serelepe, teve pouca oportunidade (diga-se tempo) de mostrar todo seu relacionamento de amizade com a Bella. A “cara de dor” de Jasper foi interpretada de maneira muito divertida pelo Jackson Rathbone. Carlisle, Esme, Emmet e Rosalie foram interpretados “lindamente” por Peter Facinelli, Elizabeth Reaser, Kellan Lutz e Nikki Reed.

Senti falta de muitas conversas importantes entre Bella e Edward. Outro fato importante esquecido na trama foi quando Bella quase foi esmagada pelo carro de Tyler. Não foi mostrado o interesse e preocupação do mesmo pela Bella. A dificuldade que ela teve para escapar de Alice e Jasper também foi deixada de lado. Como Bella pôde ter escapado tão facilmente de uma vampira que prevê o futuro? Ela simplesmente arrumou suas coisas e foi embora tranqüilamente. E quanto ao poder de Jasper de manipular as emoções? Simplesmente foi esquecido!

Os Quileutes marcaram uma pequena presença no filme, mas de tão grande importância quanto no livro. Adorei o Taylor Lautner como o meu querido Jacob, e sinceramente ficarei triste pela troca do ator.

O filme foi repleto de “defeitos especiais”. Que brilho horroroso era aquele no Edward? E quando ele subia nas árvores então… mais parecia a Samara de “O Chamado” subindo no poço. Só devo elogiar o jogo de Baisebal, que por sinal foi minha cena favorita (adoro a música de fundo) e a luta dos Cullens contra o James.

Falando em James, o trio de vilões foi interpretado brilhantemente por Cam Gigandet, Edi Gathegi, dando destaque para a linda Rachelle Lefevre com seu ar de felina perfeito para a Victoria. Apesar da boa interpretação de Cam como James, como meu namorado disse, ele parecia um vampiro gay de tanto que se remexia para falar.

Penso que para os fãs da saga, Crepúsculo não poderia se tornar um filme. A leitura das situações do livro acontecem quase em tempo real, portanto transformar tudo em apenas duas horas, resulta na perda de muitos momentos importantes. Seria muito mais interessante se fosse um seriado como o True Blood, que é uma adaptação de uma série de livros de Charlaine Harris, sendo o primeiro o “Morto até o Anoitecer“. Se assim fosse, não precisaríamos perder tantos momentos que faltaram para explicar todo o relacionamento de Bella com os amigos e com a família Cullen, principalmente com Alice.

Apesar de muitos desapontamentos gostei muito da cena final adicionada no filme. Era claro que a maneira como acabou o primeiro livro, não seria interessante no cinema, então a “deixa” com uma nova cena foi muito bem-vinda e totalmente de acordo com as sequências “Lua Nova” e “Eclipse”.

Nota: 6

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